sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Abortado aos 16

Todos os dias
Lamentos e prantos
Escorrem dos morros

Todos as vias
Por direito a poucos
Milhares de abortos

Abortam um jovem
De apenas cinco meses
Na vida do crime

Abortam um menino
Por simples motivos
De gerar desconforto

E na fila de curetagem...
O desespero!
Mais uma jovem ensanguentada
Mais uma puta, uma pobre coitada
Que por não dispor dos milhares
Tens os direitos negados.

Palavras Minhas, Versos Seus

Se for por você
Escrevo cada verso de afeto
Cada palavra em ternura
E toda sílaba com amor

E sendo assim
Não há passagem qual lhe traduza
Que não seja inspiração.
Nem há palavra da sua boca
Que aos meus ouvidos
Não chegue feito poesia.

Punhaladas

Nada me afaga nesse momento
Em que me ferem por punhaladas
Golpeado pela faca
Que se crava em meu peito.

Extasiado pela dor
Tateio a ferida ensanguentada
Que de tão funda
Espero o ultimo fio amargura.

Deixando magoas
Criando marcas...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Livre Passarinho

Encontro meu afago em seus olhos
Sem que precise ser minha
Nem guardada engaiolada.
Então ouço suas canções
E ao abrir a janela
Posso te reencontrar.
Pairando sobre mim
Desse jeito, assim...
Como o mais lindo passarinho
Que me prende livremente
Pela leveza em seu voar.

Já Não Há Desculpas

Às vezes me convém ser cético
(Mesmo acreditando em tudo)
E não admitir temer o além.

Às vezes é preciso dizer 
Que está tudo bem
E velar a dor.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Medo e Orações

Para alguém especial: 

Encontra-se um nó em meu coração
Sufocado sobre as lagrimas
Pelo medo de te perder 
E a vontade desesperada 
De que continue entre nós.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Entre Samba e Prantos

O meu samba hoje
É tecido em silencio
Das lembranças e momentos
Que me consomem por inteiro

Forjando as batidas
Em ritmos repicados
De pandeiros e tamborins
Vão chorando em lentidão

Enquanto vejo minha alma,
De olhos fechados no espelho
Calmamente em desespero

Só enxergo a solidão. 

Fahrenheit 451

As pessoas caminham em corpos vazios
Enquanto o cheiro de querosene espalha-se no ar
Levando os sorrisos, as lágrimas, as almas.

Mil fatos em obsolescências
Olhos de vidro; paginas em branco...
A Violência, naturalmente, é televisionada
E são os livros que viram indecência.

O menino prevê mais um espetáculo
No brilho das folhas, na fogueira
Queimando feito brasa
Em Fahrenheit 451.

Mas há alguma coisa de errado
Gemidos e gritos em meios aos livros
Que vivem e morrem queimados
Dentro de cada leitor apaixonado
Como à senhora que queima junto a eles

Filosofias, romances, nem contos
Nada mais faz sentido
Entre as cinzas de sua combustão
Flamejam em nome da lei.

O peso de suas banalidades
Expressadas superficialmente
Em nome de tudo que é princípio
Ardem mais homens na guerra
Do que livros nas lareiras.

Para que eles não morram em si
Leiam! Para que se torne parte deles
Então recite-os
Recite-se.

Teleologia

O presente obsoleto
Com os resquícios do passado
Já não nos serve mais

Todo principio tem seu fim
Nem mesmo guardado pelo destino
Mas nas praticas e lutas diárias
Dos braços que constroem a realidade

Pelo suor, pelo sangue, pela dor
No movimento dinâmico da vida
Renasce em nossos imos
O desejo pela mudança

Pois na essência de um sonhador
É onde brota suas utopias
E no sofrimento do seu amor
Por uma humanidade explorada
Lançamos a necessidade
De um dia transformá-la.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Percepções

Desvairado por completo
Não me compreendo por inteiro
Entre os fragmentos
De forjadas acepções.

Mergulhamos em nossas sinas
Sufocando a consciência
Que esvai-se em fluidos
Esguicham em afluência.

Encontro-me em Todos os gestos
Sem meias palavras
Nem outros meios
Que me limite à sanidade.

Nem pelas pegadas que deixei
No mapa da minha sola
Que caminha em desatino
Em desafio
Entre sombras e escombros
Que estive de passagem.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Domínio do Ego

Encobre-se sob os lençóis
Tateando objetos no escuro
No fastígio do seu ego
Não vê nada além de si

Passando por cima dos que deitam no chão
Pisando em cabeças e braços
Para manter as vaidades e arrogâncias
Que precisa alimentar

Se nega a perceber
Que não existe amor na posse
A não ser uma ilusão
De um egoísmo compartilhado
“Do seu...”
“Do meu...”
Mas nunca do nosso.

domingo, 1 de setembro de 2013

Como Outra Rosa Qualquer

Ê... Chegou provocando assobios!
Boquiaberto a vejo passar
Depois de horas a fio
Recostado como em um divã
Confessando meus delírios de amor
Para mais um amigo ou desconhecido
Que já conhece de trás para frente
Os elogios que me posso recordar

Pena que não a posso colher
Como outra rosa qualquer...

Pena que não posso cheirar-la
Como outra rosa qualquer...

Abafo ensejos em admirá-la
Torturando-me em seus espinhos
Por não aspirar da sua reciprocidade  
E não desfrutar dos teus carinhos. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Medidas de Vento

O tempo são medidas
Variáveis ao vento
Levando contigo as palavras
Que já não dizem mais nada

Medidos em ponteiros
Acertados pelos momentos
Sem competir pela sanidade
O poder de lhe julgar

O mesmo que voa e se arrasta
Entre a doce alucinação
E amarga realidade
Por desventura do destino
Não destina o próprio tempo.



terça-feira, 20 de agosto de 2013

Amarrados Pelas Classes

Estamos presos as amarras
Que nos separam pelo ter
Mediante ao poder
Dos colarinhos com gravatas

Castigados pela ilusão
Que o privado também é nosso;
Ofuscados pela exploração
Acreditamos: “tudo posso!”

O espectro que rondava
E que ontem ainda mais valia
Absolutamente nada
Para os braços que trabalhavam
Mas continua a se reproduzir...

Que nos livremos da alucinação
Da livre escolha de consumir
Pelas amarras que nos prendem
As nossas classes de possibilidades. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Brilho do Povo

O por do sol na favela
Que não se esconde entre o mar
E sim pelas casas sem reboco
Daqueles que não podem optar

Descansando para que chegue a lua
E batize toda cidade cinzenta
Com as luzes do morro
Que piscam em assimetria

Imêmore por tamanha beleza
Não sabem das dores ali vividas
Pelo seu povo sofrido
Marcado pelo trabalho
Jogados aos buracos
De vida batalhada e difícil

Entre o samba e sacrifício
Nada os podem abalar
Nem as balas de fogo
Do comandante teimoso
Que os deseja exterminar

As palas são retas, seus papos também
Estreitando olhares misturados
Entre agoniadas e difusas formas de lidar
De favelados valentes
Mesmo preso a correntes
Não deixam de amar.


domingo, 11 de agosto de 2013

Tão Formosa Rosa

Tão formosa tu és
A mais bela flor silvestre
Que nem me atrevo a colher
Pois em qualquer jardim que esteja
Arrancara suspiros por sua beleza

Tão formosa quanto ela
Que nem quero ter como minha
Já és tão bela assim
Sendo livre pra me amar

Espinhosa como uma rosa
Seu lindo perfume a exalar
Espero sem demora
O dia de te reencontrar

Mas suas besteiras de menina
Crer que o amor é egoísta
A ponto de se trancar. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Paredes de Sangue


Porcos e homens se confundem
Misturados pela lama
Separados pelas classes
Comendo as migalhas
Vivendo das sobras

Em meu peito encontro uma saída
Correndo pelo sangue em afluência
As batidas utópicas de um coração

Minhas veias puncionam mais fortes
Arrebentando qualquer fronteira
Para que não me esbarre em limites
E nem esquecida seja
As masmorras d’outrora.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os Frutos Vermelhos

Tento fincar raízes como uma árvore frutífera
Que produz seus frutos sem razão
Sem almejar usufruir dos teus sumos
Como toda natureza que produz sem esperar

Embora o vento estremeça meus galhos
Alguns frutos ainda apodrecem sem cair
Sem se quer chegar ao solo para decompor
Nem alimentar nenhum pobre faminto
Que desesperado anseia por lhes saciar

Belas e brilhosas frutas vermelhas  
Que instigam e matam a fome
E que remetem ao sangue do que por elas lutaram
Torno-me então mais uma árvore
Para que minha sombra chegue a todos. 

sábado, 13 de julho de 2013

Pesos e Aflições

Às vezes todos os pesos estão em minhas costas
Como se carregasse o mundo inteiro comigo
E as agonias virassem respostas
De todas as aflições que já não sei lidar

Correntes que me prendem ao chão
Em insistentes tentativas de caminhar
Machucam meus pés e mãos
Que sangram em afluência!

Palavras, Palavras, Palavras...
Todas jogadas ao vento  
Como se de nada valessem
E com desculpas sempre curassem

Mas os pesos ainda me envergam
Não podendo te oferecer mais nada
Apenas como se a cada verso
Pudesse suspirar aliviado.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Olhos de Tigresa

Te vejo daqui parado
Com teus olhos de tigresa
Me devorando por inteiro
Como sua futura presa...

Fixa teus olhos aos meus
Provocando-me arrepios
Com suas garras que apavoram
Mas com seus pelos tão macios.

Os seus rugidos já não me abalam
Como as íris que me enfeitiçam
Devorando minh'alma pelo avesso
De dentro para fora
Com esses olhos cor de mel.